Esqueci de tecer comentários na passagem do Dia do Professor, o que hoje passo a fazer. Todos nós sabemos da importância desse profissional no seio de qualquer comunidade. No passado era mais respeitado, não diria que o professor tinha o seu devido reconhecimento. Digo isso por ter passado pela experiência gratificante do convívio em salas de aulas por quase uma década.
Iniciei a minha carreira no magistério de uma forma interessante. São coisas que ficam gravadas para sempre na nossa mente e passam como um filme quando buscamos reviver esses momentos. E como toda história tem começo, meio e fim.
Nos idos dos anos setenta retornei para João Pessoa, depois de sair da Escola Preparatória de Cadetes do Exército por jubilamento – perdi os dois primeiros anos de estudo do 2º Grau. Naquela escola, localizada na cidade de Campinas-SP, eu estava separado da família por milhares de quilômetros. A saudade suplantava qualquer esforço para a concentração aos estudos e o resultado eram as notas baixas ao longo de todo o período. Eu não conseguia superar a vontade de voltar para casa, para junto dos meus pais e irmãos. Eu tinha naquela época pouco mais de quinze anos de idade, um menino. Tudo era diferente de hoje: não tinha celular, nem mesmo telefone fixo que certamente amenizaria o banzo; viajar somente de avião e não tinha a TAM nem a GOL com as suas promoções...
No meu retorno fui repetir, pela terceira vez, o primeiro ano e matriculei-me num colégio estadual da cidade. Quando cheguei as aulas já haviam iniciado há quase um mês, mas na condição de repetente não seria difícil acompanhar a turma. Dito e certo, ao invés de dificuldades tornei-me um dos melhores alunos do colégio – com destaque para a disciplina que mais me perseguiu naquele passado próximo: a matemática. Tanto que passei a dar aulas particulares para alunos das séries anteriores, tendo iniciado com o filho de uma então professora minha. Logo o número de alunos cresceu, o meu interesse pela matéria foi aumentando. Quando então cursava o terceiro ano apareceu uma chance de entrar numa sala de aula na condição de professor substituto para lecionar matemática nas turmas de 5ª a 8ª séries. E mais outra disciplina: desenho geométrico. Sem dúvida um grande desafio.
O contrato era para substituir um professor, amigo meu, durante um período de quarenta e cinco dias – no qual ele estaria engajado em outras atividades acadêmicas. Tamanho foi o meu empenho nessa árdua tarefa do ensino que acabei ganhando a vaga por mais três anos seguidos... quando mudei de escola, a convite desse mesmo amigo Giovanne, para assumir turmas de 7ª série. Nesse ínterim, já na qualidade de professor de matemática, prestei meu primeiro vestibular na Universidade Federal da Paraíba, com aprovação para Bacharel em Matemática – não poderia ser outro curso, era até uma questão moral conquistar aquela aprovação e foi com louvor. Mais uma vez deixei evidenciado que o problema não era de assimilação da matéria! Ao mesmo tempo em que cursava Matemática, tinha no outro expediente de executar a tarefa de Professor – e fazia ambas com muita dedicação, amor e responsabilidade. Na faculdade, quando era comum a repetição de matérias em vários semestres, encarei o desafio, juntamente com outros três colegas de turma, de vencer os bichos de uma só tacada. As disciplinas iam sendo vencidas a medida que íamos tem acesso a elas, os semestres iam sendo vencidos um a um. Certamente eu teria me graduado em Matemática, mas os ventos sopraram em outra direção. Obtive aprovação em concurso público nacional, promovido pelo antigo DASP, e acabei ingressando no quadro do extinto INAMPS, cujos servidores foram absorvidos pelo Ministério da Saúde, muitos foram cedidos ao SUS. Diante da nova realidade profissional, passei a trabalhar nos dois expedientes e obrigatoriamente deixar a faculdade que funcionava somente durante o dia. Assumi no mês de setembro de 1982 e naquele mesmo ano prestei meu segundo vestibular, para o curso de Economia, tendo sido aprovado para a mesma universidade e cursava no período noturno. Escolhi este novo curso pensando na possibilidade de crescimento dentro do Instituto, por meio da ascensão funcional para nível superior – que nunca tive a oportunidade de ver! Com o advento da Constituição de 1988 foi extinta esta possibilidade de crescimento para o servidor público.
Voltemos ao tempo de professor. Foram anos de muita dedicação, cada movimento era um flash – para plagiar a personagem vivida por Mara Manzan. Foi muito bom viver todos aqueles momentos, quando havia respeito mútuo. O professor passava a sua matéria e o aluno estudava e seguia as orientações que recebia, tanto dos professores quanto dos auxiliares de disciplina da escola.
Aos poucos, porém, eu presentia que as coisas não continuariam assim por muito tempo. Algo de novo estava por vir. E hoje eu sei que realmente muitas coisas mudaram e ser professor é cada vez mais desgastante, tem sido uma tarefa mais espinhosa para aqueles que desempenham de verdade este papel de suma importância. Para os menos compromissados não tem diferença alguma, tanto faz como tanto fez – no dito popular.
O meu afastamento das salas de aula foi providência divina. Aconteceu no tempo certo. Acompanhando os noticiários e depoimentos dos que hoje labutam na área do magistério percebemos as mudanças; parece que quebraram o velho respeito e o afrontamento passou a ser uma ferramenta corriqueira na vida de muitos estudantes. Eu diria que houve uma inversão em todos os números de avaliação se pudermos compará-los! Em razão disso tudo, podemos dizer que o exercício do magistério passou a ser uma atividade de muito mais valor – não digo de mais valia, pela falta do reconhecimento oficial. Claro que muitos profissionais do futuro vão continuar passando por todo esse processo de aprendizado, assim como foi para os que estão exercendo hoje as mais diversas atividades. Falo nesse momento é das dificuldades de ser um professor atuante e compromissado com a formação do aluno.
Os professores de hoje são muito mais heróis do que fomos nós do passado, hoje precisam disputar com todas as parafernálias modernas – celulares, i-podes, notebook, mp4, 11, 12... sei lá quantos mais, que distraem e abstraem os pensamentos do alunado.
Aos professores contemporâneos dedico este desabafo saudoso, aos professores atuais desejo muita sorte! Fiquem todos com Deus!

FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... e MEU CADERNO DE POESIAS, desejam um bom feriado para você.
ResponderExcluirMuita Luz.
Saudações Educacionais !